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Novembro 2, 2022O que representa o metaverso? Neste painel da Web Summit tentou-se responder à questão de como o futuro do metaverso pretende impactar não apenas as empresas, como todas as pessoas em geral. O painel de discussão teve como protagonistas Salah Zalatimo, CEO da Voice, Natalie Monbiot cofundadora da Hour One, o CTO da NortonLife, Darren Shou.
A primeira pergunta prendeu-se com o facto de se procurar perceber se o metaverso está “overrated”, mas para Natalie Monbiot, este ainda está nos primeiros passos, mas pensa que por potenciar a habilidade de fazer trabalho, aumentando a produtividade e as habilidades pessoais de cada um, tem bastante potencial. Vai continuar a ajudar a alcançar os objetivos que desejam no futuro. É dado o exemplo da armadura do Iron Man da Marvel, em que este aumenta as capacidades de Tony Stark, numa alusão ao que se pretende com o metaverso. E se isso fosse acessível a todos, não a força e armas da armadura, mas as interações digitais na ponta dos dedos. Outro exemplo dado foi o de alguém que na vida real está condicionada em praticar desportos como body board, mas no metaverso, em versão de realidade aumentada, isso é possível, podendo fazê-lo, defende Darren Shou.
Acredita-se que o metaverso continua a ser explorado, a criar-se conteúdos digitais e coisas digitais, que possam viver com as suas contrapartes reais. A conclusão é que ainda se pensa no metaverso como algo oferecido através da realidade virtual. Do ponto de vista corporativo é ajudar a criar as experiências de alguém, de oferecer a oportunidade de melhor experienciar o que outros sentem. Darren Shou diz que esta é a forma de oferecer melhores experiências aos seus clientes.
Natalie Monbiot diz que um gémeo digital substitui a capacidade de simplesmente assistir a um vídeo, para a criação de uma presença real de um líder tecnológico, por exemplo, estabelecendo ligações com a sua audiência. A possibilidade de evitar e cancelar tarefas repetitivas através do digital, com efeitos práticos na vida real.
Defende-se que o poder do metaverso cresce a cada dia. Será inevitável fazer parte das nossas vidas, como atualmente já o fazem as redes sociais, utilizadas tanto para lazer como trabalho. O desafio pela frente passa por apresentar este novo mundo às pessoas e tem como principal entrave o tempo que demora a acontecer. Quando as pessoas começarem a experimentar, a sentir e a tocar este mundo digital, não vão querer voltar atrás, é referido no painel.
Mas e utilizações práticas de todo este conceito? Natalie Monbiot diz que do lado do consumidor prende-se com o entretenimento, na sua parte mais visível, mas a nível corporativo será a revolução na comunicação, a possibilidade de imersão nestes mundos. No mundo dos negócios vai haver mais capacidade de delegar para os gémeos digitais o trabalho repetitivo, para libertar as pessoas para algo mais criativo. defende.
Nas implicações para os negócios, um exemplo dado foi o ensino, o facto de ter um professor em todo o lado. E veja-se os efeitos da pandemia, em que as escolas estiveram encerradas. Através do metaverso é possível criar um professor em cada casa, como se estivessem numa sala de aulas. E é sobretudo importante para áreas altamente especializadas, como ter um professor médico, a dar aulas. Darren Shou dá o exemplo da sua filha a aprender ballet durante a pandemia, usando como professora a melhor do mundo, através de um gémeo digital, algo que a inspirou e a tornou uma melhor aluna.
Salah Zalatimo diz que este será um espaço social por natureza, da mesma forma que temos atualmente o Facebook ou o Twitter e Instagram, seja para ligação entre pessoas como desenvolver pequenos negócios. A sua empresa está interessada em oferecer primeiro experiências aos utilizadores e então depois explorar o potencial de negócio gerado pelo metaverso.
No metaverso, os profissionais podem ter acesso a ferramentas que os fazem descontrair, deixar um pouco de lado o “fato e gravata” do uso diário, aproveitando oportunidades para “quebrar o gelo” nas interações e proximidades com os seus clientes.
A conclusão que se chega no painel é que o metaverso será para todos, impactando as pessoas de formas diferentes, mas cabe às pessoas tomarem pequenos passos para experimentarem as suas vantagens. A plateia é desafiada a fazer o download de aplicações e aos poucos quebrarem essas barreiras e preconceitos que ainda existem com o metaverso. E quando se diz que o metaverso está para chegar, este já se encontra à nossa volta. É que o metaverso pode ser uma forma de servir comunidades negligenciadas e remotas, já que não podem aceder a serviços ou pessoas de forma física, podem fazê-lo de forma digital.
A comunidade de gaming, por questões óbvias, é quem melhor percebe a linguagem do metaverso, algo que continua a ser confundida com o entretenimento lúdico. Quando se vê Mark Zuckerberg em forma de avatar, pergunta-se rapidamente de que jogo se trata. E isso pode ser uma vantagem para as empresas que souberem utilizar as ferramentas de engagement para agarrar aqueles que, afinal, já compreendem essa língua.
O metaverso já existe. Seja bem-vindo
Num outro painel, ainda relativo ao Metaverso, Marc Carrel-Billard, diretor de gestão da Accenture, protagonizou a talk “Meet the metaverse”. O objetivo, claro, foi explicar a posição da empresa no metaverso, apontando aquilo que perdemos e como transformar os negócios, dando um passo para ficar na liderança. A sua visão tecnológica para o metaverso é a forma como altera e impacta não só o negócio dos seus clientes, como do mundo em geral.
Como diz o nome da palestra, o metaverso será um espaço não apenas para o gaming ou para conversar. “Estão errados. O metaverso está aqui, mas ninguém sabe como estará daqui a 10 anos e quem disser que sabe, estará a mentir”. Mas defende que, tal como a internet, está para durar. A IA, blockchain, VR, tudo pode cruzar-se no metaverso. Diz que é importante esclarecer que o metaverso não é realidade virtual, mas sim, uma mistura de real e virtual. Quando se interage com o Google Assistant ou Alexa já está no metaverso.
E para provar que o metaverso está mais vivo do que nunca e a expandir-se mostrou um quadro com empresas que já abraçaram este mundo, desde a LEGO que criou um ambiente virtual para crianças, a AWS que criou uma plataforma de aprendizagem, e os exemplos continuam, como pode ver no quadro em baixo.
Falava-se de Internet of Things, mas desde 2020 que isso evoluiu para o Web3, o chamado Internet of Place (Internet dos lugares). Não é apenas de lugar, mas o facto de ter o direito desse lugar na internet. Ou seja, como é possível as pessoas terem um sentimento de posse. Uma clara alusão aos NFTs e ativos digitais. Espera-se que hajam cidades completas em metaverso em 2030, com passaporte, com os mesmos direitos e benefícios de um espaço real, nas palavras mais visionárias. Isso será possível com a transformação dos equipamentos, em que um portátil será vendido com a oferta do headset de realidade virtual. O primeiro passo foi a colocação das pessoas no metaverso (WebMe), a experiência em si, oferecendo a tecnologia em torno do utilizador. A Accenture já tem digital twins dos seus escritórios há cinco anos, convidando os seus clientes a visitas desde então; faz festas de natal no metaverso, e outras atividades. Mas acredita que isto é apenas parte do metaverso, da mesma forma que considera manter as ligações físicas presentes.
A segunda tendência foi criar os mundos programáveis, popular o mundo. E os robots são parte do metaverso que já andam à nossa volta há muito tempo. E chamou ao palco um dos robots mais populares da Boston Dynamics para o demonstrar, o Spot. A IA é usada para o treinar e estes já são utilizados para fazer scans dos elementos do mundo real, ajudando a criar o tal digital twin.
A terceira tendência é o uso do conceito Unreal, ou seja, vemos uma experiência digital no metaverso, mas estes têm impacto no mundo real. Através do motor Unreal consegue-se criar o realismo necessário em metaverso, como sendo real, aqui entram os avatares das representações das pessoas, os tais humanos digitais que empresas como a portuguesa Didimo têm vindo a explorar. A empresa diz que a tecnologia ajudou a dar vida a séries televisivas como o Game of Thrones.
O quarto ponto é computar o impossível. Novas máquinas, novas possibilidades, diz o especialista. A empresa diz que pode-se otimizar soluções para resolver problemas complexos, dando mesmo o exemplo da investigação da cura para o cancro. Muitos laboratórios podem ser criados em ambiente metaverso, de forma a serem otimizados os processos.
O SAPO TEK vai acompanhar toda a edição do Web Summit em direto, já a partir de hoje e até dia 4 de novembro. Siga todas as notícias aqui, seguindo também a transmissão em direto no palco principal.
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Veja ainda algumas das principais imagens que a equipa do SAPO TEK vai recolhendo por dentro do Web Summit
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