Instagram também está a limitar o acesso de outras aplicações aos dados dos utilizadores
Abril 6, 2018Virgin Galactic acelera teste de voo para turismo espacial
Abril 6, 2018A nova lei das comunicações eletrónicas, que fixa também os períodos de fidelização dos contratos, entrou em vigor há menos de ano e meio, mas vários partidos políticos não se mostram satisfeitos com as determinações e pretendem agora fazer mudanças. Hoje vão ser discutidos em reunião plenárias várias propostas, com o Bloco de Esquerda, o PAN, e o Partido Os Verdes a apresentarem novos prazos de fidelização nos contratos, enquanto o PSD quer apenas clarificar alguns termos da Lei. Há ainda uma proposta do PS que pretende a implementação de uma ficha de informação simplificada nos contratos de comunicações.
A proposta do Bloco de Esquerda refere que “o mercado das telecomunicações, apesar de consolidado, continua a não permitir aos consumidores uma verdadeira mobilidade” e por isso querem definir um período de fidelização inicial máximo de 12 meses, com informação regular e transparente sobre o tempo que falta cumprir ao longo do contrato. Mas o diploma avança ainda com a possibilidade de não haver qualquer fidelização, já prevista na atual lei, ou contratos com uma fidelização de 6 meses nas ofertas dos operadores.
E há ainda uma proposta de mudança nas renovações do contrato, definindo-se que apenas possa ser “cobrado o valor do regular fornecimento do serviço; excecionalmente, se foram solicitados novos equipamentos terminais, as mensalidades associadas ao contrato inicial devem refletir unicamente: a) o valor relativo aos valores normais do regular fornecimento do serviço; b) o valor dos encargos de ativação e dos custos relativos a equipamentos terminais alugados ou cuja propriedade transite para o cliente, conforme subalíneas”.
[related-post id=”52867″ post_type=”post” /]
Do lado do Partido Os Verdes a ideia é semelhante, mas a proposta fixa em 6 meses o período de fidelização, considerando ainda que devem existir contratos sem fidelização. “Seis meses é um período mais do que suficiente (e até sobrante) para a empresa não ter qualquer tipo de perdas relacionadas com os custos aplicados em equipamento e na instalação de um serviço”, refere o projecto de lei.
Na sua proposta, o PAN lembra que a mudança da legislação ocorrida com a Lei das Comunicações não trouxe clara vantagem aos consumidores e utiliza mesmo informação da DECO nesse sentido. “Os tarifários sem fidelização ou com prazos mais curtos não representam verdadeiras alternativas, uma vez que são bastante mais caros”, refere-se no documento. A proposta é também de fixar a fidelização em 6 meses, e garantir que existam contratos sem fidelização.
O projeto de lei apresentado pelo PSD propõe mais mudanças no articulado da Lei, considerando clarificar “alguns conceitos e redações que, salvo melhor opinião, não ficaram suficientemente claras aquando das últimas alterações legislativas à Lei das Comunicações Eletrónicas”, mas mantém o período de fidelização nos 24 meses.
Como seria de esperar, a associação dos operadores de comunicações já se pronunciou contra as propostas e ontem mesmo enviou um comunicado às redações onde expõe as suas razões. Segundo a Apritel o atual regime é “bastante equilibrado”. “O setor adaptou-se. Os dados económicos após a adoção da lei mostram que os portugueses consomem mais e melhores serviços e que estão a pagar menos”, refere-se.
[related-post id=”43137″ post_type=”post” /]
De acordo com a associação, “os prazos de fidelização favorecem os clientes”, referindo que esta é “uma visão partilhada pela Autoridade da Concorrência e por todos mercados e Reguladores da União Europeia, que acolhem os 24 meses como um prazo razoável”.
“A revisão proposta pelo PAN e BE não tem justificação porque a lei já obriga os Operadores a disponibilizarem serviços em todas as modalidades de prazos e a comunicá-los de forma bastante clara. Tudo isso é já feito.”, adianta ainda o comunicado.
Recorde-se que a introdução da obrigatoriedade dos operadores introduzirem nas suas ofertas contratos sem fidelização foi bastante discutida antes da aprovação da Lei das Comunicações eletrónicas, e que a Deco fez as contas depois da entrada em vigor, considerando que estas opções não eram economicamente vantajosas para os clientes.
Apesar das últimas mudanças feitas na legislação, o sector das telecomunicações continua a liderar as queixas dos consumidores, sobretudo devido aos prazos de fidelização dos contratos.
Nota da Redação: Depois da apresentação em plenário todos os diplomas baixaram à comissão por 30 dias.
