Asus quer “quebrar barreiras” no gaming com novos portáteis de topo e acessórios para vestir
Maio 17, 2022“O processo de balcanização da Internet já está em curso há alguns anos. O que se discute agora é o quanto se irá agravar face à realidade geopolítica atual”
Maio 17, 2022China, Rússia, Coreia do Norte, Irão, Venezuela, Myanmar, Sudão, Paquistão, Jordânia ou Chad são apenas alguns dos nomes de uma longa lista de países que mantêm restrições de acesso à Internet ou que, por algum motivo, desligaram ou controlaram o acesso a serviços online em 2021, pondo em causa a ideia de uma Internet livre e acessível a todos. O risco de fragmentação é real e tem sido alvo de muitos alertas de várias organizações, mas a guerra na Ucrânia tornou a questão mais premente, sobretudo depois de terem surgido apelos para bloquear a Rússia da Internet.
Em Abril cerca de 60 países uniram-se numa declaração para o futuro da Internet, que também Portugal assinou, e que pretende proteger os direitos humanos e a liberdade para todos, uma Internet global que impulsione a livre circulação de informação e acesso aos benefícios da economia digital. Pode ser apenas uma declaração de intenções mas não deixa de ter importância num momento em que as ameaças são cada vez maiores.
O problema da fragmentação da Internet, ou Splinternet como se convencionou chamar, está longe de ser novo, mas a Internet Society avisa que já afeta milhares de milhões de pessoas.
[related-post id=”298820″ post_type=”post” /]
Os alertas para o controle e bloqueio de serviços são antigos e Tim Berners-Lee já defende há vários anos um “Contrato para a Internet” para reparar o que na sua perspetiva está errado com a grande rede. A iniciativa data de 2019 e a visão do “pai da World Wide Web” já reuniu milhares de empresas e organizações que assinaram este “Contrato” com nove compromissos em várias áreas.
Podem estas iniciativas e avisos ter efeito? Que impacto tem o isolamento progressivo da Rússia? Ricardo Lafuente, vice presidente da associação D3 – Direitos Digitais lembra que a balcanização da Internet não é nova e que neste momento é difícil fazer previsões sobre o que vai acontecer.
“Com a invasão da Ucrânia ainda em curso e uma grande incerteza sobre os próximos passos da China face a Taiwan, é arriscado fazer qualquer previsão do que se irá tornar a Internet – só sabemos que muito vai mudar”, afirma em entrevista ao SAPO TEK, avisando que “o que se discute agora é o quanto se irá agravar face à realidade geopolítica atual”.
A utilização da Internet como arma nos conflitos, em especial por regimes totalitários mas também por países democráticos, para controlar a população, reprimir dissidências internas e fazer pressão política são medidas que “têm sido aplicadas regularmente nos conflitos contemporâneos, mas a proximidade da invasão da Ucrânia veio dar ao ocidente outra perspectiva relativamente ao acesso à Internet como arma e mecanismo de controlo”, explica Ricardo Lafuente, apontando a tática russa de desviar tráfego das zonas ocupa-as para passar por servidores russos, com objetivo de vigilância das comunicações.
A Internet Society é outra das organizações que tem vindo a alertar para a possibilidade da fragmentação deitar por terra décadas de esforço para garantir a ligação do mundo inteiro, dividindo a Internet numa série de redes separadas, sem pontos de contacto.
“Podem usar os mesmos nomes e protocolos, mas os governos e empresas podem tornar-se os ‘porteiros’ do acesso ao que as pessoas podem fazer, ver e aceder nessas redes”, adianta a organização.
E não é só o fluxo dos dados que está em causa, mas o próprio comércio internacional, assim como a divisão digital.
Dan York, diretor da Internet Society, defende que o impacto na nossa forma de viver é profundo e exemplifica, de forma simples, com o caso de quem não consegue aceder ao Facebook, tem uma alternativa ao Google porque o motor de busca está bloqueado e que mesmo a Wikipedia está fora de alcance. “Podemos usar os mesmos browsers e programas de email mas não conseguimos chegar aos mesmos sítios. E mesmo que consiga, não tem a certeza se o governo local está a monitorizar tudo o que faz online”.
“A Internet foi bem sucedida porque é aberta, sem restrições, e com protocolos comuns. Para o manter temos de parar a divisão e fragmentação”, defende Dan York.
Ricardo Lafuente admite a esperança de que a União Europeia tenha impacto na defesa de uma Internet livre e aberta, mas avisa que a posição tem sido ambivalente e que “tem havido desenvolvimentos que nos deixam apreensivos”, referindo a recente ideia de fazer vigilância massiva e reduzir a encriptação com o pretexto de proteger as crianças.
