Opinião: Como transformar a IA generativa num superpoder?
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Fevereiro 7, 2024O Reino Unido anunciou que vai investir mais de 100 milhões de libras (cerca de 117 milhões de euros, à taxa de câmbio atual) em inteligência artificial. O investimento vai ser repartido entre novos centros de investigação dedicados a estas tecnologias e na preparação de regulação e dos reguladores para criar um ambiente de desenvolvimento e utilização segura e responsável da tecnologia.
A ambição do governo britânico para fazer do país um líder global na IA é conhecida e este é mais um passo, amplamente pré-anunciado. Há uma estratégia pública desenhada nesse sentido e uma proposta de quadro regulamentar que tem estado em consulta pública no país.
É na sequência dos resultados desta consulta que vão agora começar a chegar ao terreno medidas concretas para pôr a estratégia no terreno, com 90 milhões de libras prontos para serem alocados a hubs de investigação em IA. Estes hubs vão estar espalhados pelo país e vão explorar caminhos para a utilização de inteligência artificial responsável em diferentes sectores, com destaque para a saúde, matemática ou química, refere a publicação The Standard.
O pacote de investimento na IA prevê ainda um apoio de 19 milhões de libras para 21 projetos, que vão desenvolver soluções de IA responsável para melhorar a produtividade, uma verba que já tinha sido anunciada. Para os reguladores vão outros 10 milhões. Esse valor vai servir para formação e preparação dos vários reguladores sectoriais para endereçar as questões e os riscos que a tecnologia vai trazer e para apoiar o desenvolvimento de ferramentas práticas para monitorizar esses riscos em diferentes sectores.
Ao contrário do que vai ser feito noutras regiões e países, o Reino Unido vai manter as tarefas de regulação do desenvolvimento e utilização de inteligência artificial nos reguladores que já controlam o funcionamento de diferentes mercados, como o sistema financeiro, a educação ou as comunicações digitais. Não pretende criar um novo órgão central de regulação para os temas de IA, por considerar que o modelo distribuído é mais ágil e eficiente.
“A inteligência artificial avança rápido, mas temos mostrado que os humanos conseguem avançar igualmente depressa”, defendeu a ministra Michelle Donelan em declarações citadas pela Reuters, a propósito da estratégia do país para esta área. “Com uma abordagem ágil e sectorial conseguimos começar a abordar os riscos existentes imediatamente, abrindo caminho para que o Reino Unido se torne num dos primeiros países do mundo a colher os benefícios de uma uma IA segura”, defendeu ainda a secretária de Estado da ciência, inovação e tecnologia.
O Reino Unido acolheu em novembro do ano passado uma das maiores conferências internacionais já realizadas sobre IA segura. Acolheu 25 países e aproveitou a oportunidade para comunicar largamente a sua estratégia global para esta área e pré-anunciar já algumas destas medidas.
Durante a conferência, o país anunciou também um investimento de 273 milhões de dólares para construir um novo supercomputador, 10 vezes mais rápido que o seu supercomputador mais avançado já em funcionamento. O Isambard-AI deverá estar operacional no verão e pretende tornar-se um dos supercomputadores para inteligência artificial mais potentes do mundo, com capacidade para realizar mais de 200 trilhões de cálculos por segundo. O anúncio foi feito por Simon McIntosh-Smith, da Universidade de Bristol, garantindo que este “será um dos sistemas de IA mais poderosos do mundo, aberto à ciência”.
