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Março 21, 2025A NOVA School of Business and Economics (SBE) está a avançar na implementação de IA em ambiente académico. Além das várias aplicações que usam a tecnologia já estão disponíveis para a comunidade da faculdade e, ainda no ano passado, o Microsoft Copilot para Microsoft 365 passou a fazer parte da lista de ferramentas disponíveis.
“No contexto de um mundo que está em mudança, a educação não pode ficar para trás”, conta Filipa Castanheira, diretora pedagógica da NOVA SBE, em entrevista ao SAPO TEK.
Com a IA a mudar a maneira como as pessoas trabalham e interagem, a tecnologia “não podia ficar de fora do panorama do ensino”, seja “pelas oportunidades que cria para a maneira como nós aprendemos e ensinamos quer porque nós estamos a preparar alunos para o futuro”, defende.
“Não podemos ter um ensino anacrónico quando todo o mundo está noutra velocidade”, afirma a responsável. “O mundo mudou, vai continuar a mudar, a IA vai continuar a evoluir e seria uma negação desta mesma realidade não pensar em como é que isto pode ser aproveitado”, afirma a responsável.
Como explica Filipa Castanheira, a NOVA SBE tem vindo a trabalhar na implementação de IA em vários níveis, contemplando todo o ecossistema de alunos, professores e staff. “Estivemos a discutir muitas coisas”, detalha. “Discutirmos, por exemplo, que política é que queremos, como é que sinalizamos perante os nossos alunos que incentivamos a utilização do Copilot e de ferramentas de IA sem permitimos fraudes – e somos muito rígidos com isso”.
Por outro lado, alcançar este equilíbrio é um desafio. Na visão da faculdade, “a autonomia vem com responsabilidade e a responsabilidade vem com formação e informação”. “Ou seja, nós temos cursos, estabelecemos um regulamento, nós enfatizamos os limites da utilização e enfatizamos que, quando se utiliza, como é que se referencia, por exemplo”, explica.

Filipa Castanheira, diretora pedagógica da NOVA SBEcréditos: NOVA SBE
Saber ter a responsabilidade de criar os limites certos e formar as pessoas para que possam usar a IA de maneira responsável tem sido um dos investimentos da faculdade. Nesse sentido, a diretora pedagógica da NOVA SBE realça que é também necessário perceber como a tecnologia está a evoluir, “porque não é uma decisão que tomemos hoje e que fique tomada”.
“À medida que a ferramenta vai evoluindo, nós temos que ir repensando os limites que fomos estabelecendo. Eu diria que passou a ser muito mais um diálogo do que propriamente um regulamento fechado”, destaca.
Mais personalização e humanização
A maior personalização das aulas tem sido uma das principais vantagens trazida pela tecnologia. “Deixámos de estar presos a atividades que são rotineiras e facilmente substituíveis. Conseguimos focar-nos naquilo que é, de facto, importante: discutir, ter capacidade crítica”, aponta Filipa Castanheira.
Para a responsável, o papel dos professores continua a ser “determinante e insubstituível”, mas torna-se agora mais empoderado, abrindo novas oportunidades para uma experiência que “estimula a aprendizagem ativa” e que seja capaz de ajudar os alunos a crescerem a terem a “capacidade de pensar de uma forma mais divergente e convergente sem ser passiva”.
Mas a personalização do ensino não é a única vantagem. As ferramentas de IA “permitem também uma humanização da aprendizagem e dos ecossistemas”, aponta.
“Quando começamos a meter estas competências humanas e quando começamos a dar mais relevância a estas dimensões que diferenciam a qualidade da solução, começamos, de facto, a pôr a tónica onde interessa: onde é que nós enquanto seres humanos acrescentamos valor”, afirma Filipa Castanheira.
A faculdade está ciente dos riscos que podem existir quando a implementação de IA não é feita da melhor maneira, como a dependência excessiva da tecnologia e o impacto negativo nas capacidades críticas dos alunos.
“Nós sabemos que, mal utilizado, este tipo de ferramentas pode estimular a conformidade em vez de estimular a criatividade”, indica a responsável. “Como qualquer outra ferramenta que nos dá a ilusão de uma solução, isto pode acontecer”.
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É por esse motivo que a faculdade trabalha com as ferramentas de IA “do ponto de vista das perguntas, de tentar ir à procura do contraditório, das discussões e de perceber que as decisões acima de tudo têm uma justificação”. Aqui, a tecnologia deve ser “um ponto de partida, não um ponto de chegada”, defende.
De olhos postos na evolução da IA, as equipas da NOVA SBE continuam a estudar o mercado para compreender como fazer melhor e como preparar melhor os alunos para o mundo que os espera quando terminarem o seu percurso no ensino superior.
“Mais do que um projeto em concreto, o que nós temos é sem dúvida a noção de que estas tecnologias e estas oportunidades estão na sua fase de infância”, afirma Filipa Castanheira.
“[A IA] vai continuar a desenvolver-se e a potenciar a nossa oportunidade para focarmo-nos nas competências humanas, nas soft skills, e mudar a maneira como aprendemos e ensinamos. Ou seja, potenciar o trabalho deste ecossistema de aprendizagem, sem substituir professores”, afirma. “Este é sim um projeto, mas não acredito que seja o último de todo”.
