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Abril 12, 2021Desde que o robot Perseverance pousou em solo marciano a 18 de fevereiro que o momento de teste do helicóptero Ingenuity tem sido esperado com ansiedade. Este será o primeiro voo no planeta e é uma forma de testar a capacidade de enfrentar a atmosfera fina de Marte, onde as condições para voar são muito diferentes das que temos na Terra.
O Ingenuity foi desenhado para enfrentar o clima frio de Marte, recarregar as suas próprias baterias e para ser levem com as pás de rotor muito maiores e que giram muito mais rápido do que seria necessário para um helicóptero com a mesma massa na Terra.
[photo-gallery id=”241764″ thumbnails=”241765,241766,241767″ layout=”linear”/]Nos últimos dias a equipa da missão tem acompanhado o processo de colocação do Ingenuity no solo e a sua preparação, mas um sinal de alerta impediu o teste que devia ter começado ontem. A informação ainda foi enviada para a NASA na sexta feira à noite e foi analisada pelos cientistas que confirmaram não haver condições para o primeiro voo.
[related-post id=”240366″ post_type=”post” /]Segundo a informação partilhada, durante um teste de rotação de alta velocidade dos rotores, a sequência de comandos de controle foi interrompida pelo temporizador na transição do modo pré-voo para voo. Este sistema existe para detetar eventuais problemas que possam impedir o sistema de funcionar de forma óptima.
A NASA garante que o helicóptero está seguro e sem danos, mantendo a comunicação com a Terra, mas decidiu remarcar o voo experimentar para dia 14 de abril.
Os cientistas estão agora a analisar os dados e vão reprogramar o teste de velocidade total para os próximos dias.
O que faz um helicóptero em Marte?
O pequeno helicóptero Ingenuity vai realizar uma missão de demonstração, sem qualquer objetivo científico senão provar que é possível voar em Marte e recolher dados sobre o comportamento de uma aeronave noutro planeta. Mas para isso é preciso ultrapassar uma série de objetivos complexos, diz a agência espacial.
A atmosfera fina de Marte torna complicado obter sustentação no ar de um qualquer objeto. Como a atmosfera do planeta vermelho é 99% menos densa que a da Terra, o Ingenuity precisa de ser leve, com pás de rotor muito maiores e que giram muito mais rápido do que seria necessário para um helicóptero com a mesma massa na Terra.
O teste vai fazer com que o helicóptero suba a uma velocidade de cerca de 1 metro por segundo e para voar a 3 metros acima da superfície, durante até 30 segundos. Depois, o aparelho vai descer e voltar à superfície do planeta.
Algumas horas depois do primeiro voo, o Perseverance vai transmitir os primeiros dados de engenharia do helicóptero, e caso seja possível, imagens e vídeo das câmaras de navegação do rover e da Mastcam-Z. Apenas depois da análise desses dados e imagens será possível a equipa determinar se o voo em Marte foi bem-sucedido. A partir daí, serão analisados os dados para decidir os movimentos da próxima fase.
NASA prepara-se para escrever um novo capítulo na história
Esta aventura pelo ar é vista pela NASA como tão relevante como a primeira vez que provou, com o rover Sojourner em 1997, que era possível circular pelo planeta vermelho. Agora, o mesmo conceito é aplicado ao voo e “se for bem-sucedido, poderá expandir os nossos horizontes daquilo que é possível com a exploração em Marte”, salienta a agência espacial.
Os obstáculos a superar são grandes porque a superfície do planeta recebe apenas metade da quantidade de energia solar que chega à Terra. E durante a noite, as temperaturas podem descer até menos 90 graus Celsius, capaz de congelar e rachar qualquer componente elétrico que não esteja protegido. Para sobreviver a essas noites frias, deve ter energia suficiente para alimentar os seus aquecedores internos.
O sistema foi testado até à exaustão na Terra, no Jet Propulsion Laboratory da NASA. Bob Balaram, engenheiro-chefe do projeto Ingenuity, refere que há seis anos que tem vindo a explorar território desconhecido na história da aviação.
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“E considerando que conseguir libertá-lo na superfície vai ser um grande desafio, conseguir sobreviver à primeira noite em Marte sozinho, sem a proteção do rover e manter-se alimentado, será ainda maior”, afirmou. O desafio da primeira noite foi ultrapassado, falta agora o resto.
Processo de lançamento do Ingenuity demora seis dias
A NASA escolheu um local direito na cratera de Jezero para servir de base de lançamento do helicóptero, com 10 metros quadrados. Quando o rover chegar ao local inicia-se o processo de lançamento do veículo voador. “Uma vez iniciado o processo de lançamento não há volta a dar. Todas as atividades estão coordenadas e são irreversíveis, dependentes umas das outras”, salienta Farah Alibay, responsável pela integração entre o rover e o helicóptero.
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O processo de lançamento do helicóptero demorou cerca de seis “sols” (seis dias e quatro horas da Terra) numa cadência de preparação que passou pelo desbloqueio do mecanismo que segurava o helicóptero ao rover da NASA, e que permitiu “amartar” com segurança, passando pela colocação no solo e a extensão das “pernas” do aparelho.
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A colocação do Ingenuity em posição vertical, com um pequeno motor elétrico e a abertura de mais duas “pernas” foram tarefas realizadas no quarto dia com o Ingenuity a ser colocado na posição da sua configuração de voo, a cerca de 13 centímetros do solo marciano. Só depois se iniciou o carregamento da bateria, primeiro em ligação ao Perseverance e depois usando o painel solar do aparelho.
Nessa altura, já no sexto dia, o Perseverance afastou-se e começaram as últimas verificações de comunicação por rádio e de preparação para o teste de voo, que dá início à missão do Ingenuity, que tem uma duração prevista de 30 dias.
O rover Perseverance vai supervisionar tudo e transmitir os primeiros dados de engenharia do helicóptero, e caso seja possível, imagens e vídeo das câmaras de navegação do rover e da Mastcam-Z.
Apenas depois da análise desses dados e imagens será possível a equipa determinar se o voo em Marte foi bem-sucedido. A partir daí, serão analisados os dados para decidir os movimentos da próxima fase.
