Do Mini ao Pro Max: Apple revela a nova família de iPhone 12 com 5G e sistema LiDAR nas versões Pro
Outubro 13, 2020“Apagão” informático da CGD está resolvido. Causa foi identificada como “problema de DNS”
Outubro 13, 2020A Agência Espacial Europeia deu “luz verde” ao contrato de 129,4 milhões de euros com a alemã OHB para o desenvolvimento do projeto, fabrico e testes da missão Hera. A primeira missão de defesa planetária da ESA conta com a participação das portuguesas Efacec, GMV e Synopsis Planet, que serão responsáveis pelo desenvolvimento de alguns dos elementos fundamentais para o sucesso da missão. Ao todo, as três empresas portuguesas vão ganhar 2,9 milhões de euros.
A sonda é a contribuição europeia para o projeto internacional que pretende desviar um asteroide da rota de colisão com a Terra e realizar o estudo de um sistema de asteroides duplo conhecido por Didymos. A ESA cumprirá a segunda fase de uma missão partilhada com a NASA.
Na primeira fase da missão, marcada para a segunda metade de setembro de 2022, a Agência Espacial Norte-Americana fará um Double Asteroid Redirect Test (DART), onde se prevê que a nave enviada colida com o menor dos dois corpos a uma velocidade de cerca de 6,6 km/s.
Dois anos após a colisão do DART, a missão Hera vai proceder ao levantamento detalhado dos efeitos do impacto com o objetivo de transformar a experiência numa técnica que permita desviar asteroides sempre que seja necessário.
[related-post id=”205440″ post_type=”post” /]
Os sistemas binários de asteroides representam cerca de 15% de todos os asteroides conhecidos, mas esta será a primeira vez que se fará a sua aproximação e exploração. Estima-se que em 2022 o sistema binário chegue a cerca de 16 milhões de quilómetros da Terra.
O corpo principal, de tamanho semelhante a uma montanha de 780 metros de diâmetro, é orbitado por uma lua de 160 metros, aproximadamente com a mesma dimensão da Grande Pirâmide de Gizé.
O que é que as empresas portuguesas vão desenvolver?
De acordo com Vasco Granadeiro, responsável pelo departamento de aeroespacial da Efacec citado em comunicado, o contrato com a OHB representa a “segunda maior encomenda de sempre em mais de 15 anos de atividade”.
Na nova missão, a Efacec vai desenvolver um altímetro LIDAR, um “equipamento baseado em tecnologia laser capaz de medir distâncias até 20 quilómetros com uma precisão de 10 centímetros”, explica Vasco Granadeiro. O altímetro vai permitir fazer o estudo do asteroide, assim como recolher dados que serão usados pelo sistema de navegação do satélite.
A contribuição da Efacec traduz-se no PALT (Planetary ALTimeter). Para o desenvolver, a empresa lidera um consórcio composto por mais uma empresa portuguesa, a Synopsis Planet, duas empresas romenas (Efacec-Roménia e INOE) e uma empresa da Letónia (Eventech).
[related-post id=”152921″ post_type=”post” /]
Já a GMV Portugal será responsável por desenvolver “um sistema autónomo altamente inovador de Orientação, Navegação e Controlo (GNC na sigla inglesa) para garantir o sucesso da missão”, elucida João Branco responsável do segmento Espaço da empresa.
“Somos responsáveis pelo sistema de controlo de manobras orbitais a bordo, incluindo a definição de estratégias de navegação híbrida entre o Segmento de Terra e o sistema de Controlo Automático GNC da nave”, indica o responsável.
A operação de aproximação e navegação em torno de asteroides é um grande desafio devido às gigantescas velocidades e distâncias que o corpo celeste se encontra da Terra. Segundo João Branco, o desafio pode ser comparado a “fazer acertar uma bala disparada a 2 kms noutra bala disparada a igual distância”.
A Synopsis Planet, spin-off da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, vai desenvolver o laser microchip do altímetro da Efacec, além de participar na criação do front-end ótico. “O laser que estamos a desenvolver é um laser microchip, que gera pulsos de laser de 1535nm de 2ns e é usado como a fonte de luz do altímetro”, explica Paulo Gordo, fundador da startup e membro da equipa científica da ESA que trabalha na missão Hera.
“As empresas portuguesas passaram os últimos anos a acumular experiência, conhecimento e a desenvolver as competências necessárias para a criação de soluções ímpares, que começaram por ser pequenos projetos e que hoje são essenciais em alguns sistemas e subsistemas de grandes missões internacionais”, explica Ricardo Conde, presidente da Agência Espacial Portuguesa.
O presidente da Portugal Space afirma ainda que a agência quer “contribuir para o esforço global de combate a possíveis ameaças contra a Terra, quer ajudando a dar visibilidade internacional às competências da indústria portuguesa, quer reforçando o conhecimento da comunidade científica nacional em torno de um tema que será fundamental para o futuro do planeta”.
Para acompanhar o esforço europeu e contribuir para o desenvolvimento de competências do setor espacial português, Portugal contribuiu, na última Cimeira Ministerial da ESA, Space19+, com um total de 2,8 milhões de euros para a missão Hera.
