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Abril 12, 2022Marte tem redes de cumes incomuns na cratera Jezero e há uma comunidade de cidadãos cientistas que está a ajudar a mapear a região, contribuindo para desvendar a sua origem e caraterísticas, de modo a conduzir a novas respostas sobre o planeta vermelho. A cratera foi eleita para exploração na mais recente missão da NASA e é onde “reside” o robot Perseverance e o mini helicóptero Ingenuity, que têm ajudado a recolher milhares de fotografias e outros dados.
A formação destas cumeeiras na cratera permanece um mistério desde que estas foram encontradas com recurso a imagens registadas pelas sondas que orbitam Marte. O fenómeno tem sido estudado por uma equipa de investigadores que, num artigo publicado recentemente no jornal da especialidade Ícaro, considera existirem três etapas envolvidas para criar as encostas, incluindo uma formação de fratura poligonal, preenchimento de fraturas e erosão.

Example of a polygonal ridge network showing approximately 10-meter thick, intersecting ridges enclosing irregular 100â200 meter-sided polygoncréditos: NASA/JPL/MSSS/Caltech Murray Lab/Esri
Para saber mais sobre os cumes, a equipa combinou dados da câmara THEMIS, do satélite Mars Odyssey, e dos instrumentos CTX e HiRISE, do Mars Reconnaissance, ambas espaçonaves da NASA. Os cientistas recorreram depois à plataforma Zooniverse, através da qual mais de 14 mil astrónomos amadores se juntaram ao grupo para auxiliar nas investigações.
A análise focou-se em redor de cratera Jezero e, com a ajuda da comunidade, foi possível mapear a distribuição de 952 cumeeiras poligonais numa área que representa cerca 20% da superfície marciana.

Map of polygonal ridge networks (black dots)créditos: NASA/JPL/GSFC
A maioria das redes (91%, ou 864 de 952) que foram analisadas estão localizadas em terrenos antigos e erodidos com aproximadamente 4 mil milhões de anos. Durante esse período, acredita-se que Marte tenha sido mais quente e húmido, o que pode estar na origem da formação das encostas.
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Análises anteriores nesta área mostraram que cumeeiras que não estavam cobertas com camadas de poeira apresentavam assinaturas espectrais de argilas e, uma vez que as argilas surgem na presença de humidade, supõe-se que as cristas tenham sido formadas por águas subterrâneas.
Embora a poeira abundante nessas regiões torne difícil verificar se as redes de cristas recém-mapeadas também contêm argilas, as semelhanças verificadas ao nível da forma e da dimensão sugerem que podem sido formadas a partir de processos semelhantes de águas subterrâneas.
A atual descoberta ajuda os cientistas a “rastrearem” as pegadas das águas subterrâneas que atravessam a antiga superfície marciana e determinar onde é que a água líquida fluía em Marte há 4 mil milhões de anos.
[photo-gallery id=”279395″ thumbnails=”279396,279397,279398,279399,279400,279401,279402,279403,279404,279405,279406,279407,279408,279409,279410,279411,279412,279413,279414,279415,279416,279417,279418,279419,279420,279421,279422,279423,279424,279425,279426,279427,279428,279429,279430,279431,279432,279433,279434,279435,279436″ layout=”linear”/]A equipa de cientistas, coliderada por Aditya Khuller, espera conseguir mapear todo o planeta Marte com a ajuda de cientistas cidadãos. “Se tivermos sorte, o rover Perseverance pode ser capaz de confirmar essas descobertas, mas o conjunto mais próximo de encostas fica a alguns quilómetros de distância, ou seja, só poderá ser visitado numa potencial missão alargada”, acrescentou.
