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Setembro 9, 2024Lançada em 2000, a Cluster dedicou o seu tempo a estudar talvez a única coisa que faz da Terra um mundo único onde a vida pode prosperar: a magnetosfera, o poderoso “escudo” que protege o planeta azul do vento solar e partículas energéticas. Passados mais de 24 anos, é a altura de (começar a) dizer adeus.
Agora Salsa, um dos quatro satélites da histórica missão da ESA, foi o primeiro a ter direito à “última dança”, com uma reentrada controlada na atmosfera terrestre, sobre o Pacífico Sul, a 8 de setembro último, tal como previsto.
Veja o vídeo de animação sobre a reentrada e desintegração do satélite
A Cluster foi projetada inicialmente para durar apenas dois anos, mas devido ao sucesso e à importância dos dados recolhidos, os satélites foram mantidos em operação por mais de duas décadas.
O projeto consistia em quatro satélites – Rumba, Salsa, Samba e Tango – que juntos formaram uma constelação para estudar o ambiente magnético da Terra e como ele interage com o vento solar.
[photo-gallery id=”394283″ thumbnails=”394284,394285,394286,394287″ layout=”linear”/]A magnetosfera, um campo magnético gigante que envolve a Terra, desempenha um papel crucial na proteção da vida no planeta. Funcionando como um imenso escudo, defende a superfície terrestre da chuva constante de partículas carregadas enviadas pelo Sol, conhecidas como vento solar. Sem essa proteção, a Terra estaria exposta a níveis muito altos de radiação, o que poderia tornar o planeta inabitável.
Além de proteger contra a radiação solar direta, a magnetosfera também influencia eventos como as auroras boreais e austrais, causadas pelas interações do vento solar com a atmosfera terrestre. A missão Cluster forneceu informações valiosas sobre como essas interações afetam o clima espacial, ajudando a entender e prever fenómenos como tempestades solares, que podem impactar comunicações e satélites.
O satélite Salsa foi o primeiro a realizar a reentrada na atmosfera terrestre, cuidadosamente direcionada para uma área desabitada do Oceano Pacífico Sul. Este procedimento marca um feito inédito: a primeira “reentrada direcionada” de um satélite desta magnitude, refletindo os esforços da ESA para promover uma abordagem sustentável na exploração espacial, nota a agência espacial europeia.
Veja o vídeo de explicação
Responsável pelas operações da missão Cluster, o português Bruno Sousa desempenhou um papel crucial na coordenação deste fim de missão. Com a sua equipa, ajustou com precisão a órbita do satélite Salsa para garantir que a reentrada ocorresse numa área remota e segura.
Após a reentrada do Salsa, os outros satélites – Rumba, Samba e Tango – serão colocados em modo “zelador”monitorizados por João Sousa e a sua equipa, para minimizar o risco de colisões com outros objetos espaciais e com a própria Terra,
Embora cessem as suas observações científicas, espera-se que as descobertas feitas a partir dos dados já recolhidos continuem a contribuir para o campo da pesquisa espacial nos próximos anos.
Depois do Salsa, os restantes satélites do quarteto também vão ter direito à “última dança” seguindo o mesmo tipo de processo de reentrada, nomeadamente o Rumba agendado para novembro de 2025 e os outros dois, Samba e Tango, planeados para novembro de 2024 e agosto de 2026, respetivamente.
