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Maio 28, 2019Os desafios de realizar a viagem a Marte são muitos e os cientistas estão a trabalhar há vários anos na preparação dos planos e da tecnologia que permita reduzir o impacto negativo nos astronautas. Muita da investigação faz-se em Terra, mas a Estação Espacial Internacional é também um dos locais privilegiados para fazer experiências, pela sua localização fora da atmosfera terrestre, e esta semana a ESA – a Agência Espacial Europeia, divulgou algum do trabalho que está a ser realizado para preparar os humanos numa viagem ao planeta vermelho.
Enquanto prepara a segunda missão ExoMars, a ESA investiga como o relógio biológico dos astronautas pode ser afetado numa viagem a Marte, fora do ciclo de 24 horas de luz e escuridão a que estamos habituados em Terra. Os astronautas da Estação Espacial já experimentam 16 amanheceres e entardeceres todos os dias, e para verificar como é que o voo espacial de longa duração afeta as pessoas, Anne McClain, a astronauta da NASA em missão na EEI, usou dois sensores – um na testa e outro no peito – durante 36 horas, como parte da experiência sobre os ritmos circadianos.
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Esta semana, pela quinta e última vez durante sua missão, a temperatura corporal e os níveis de melatonina da astronauta foram monitorirados, e os resultados agora serão comparados aos obtidos na Terra antes e depois da missão na Estação Espacial. A ESA nota que os resultados, e as estratégias para se adaptar – ou não – a novos ritmos poderiam ajudar a evitar os distúrbios do sono das pessoas na Terra que vivem fora do ciclo natural, ficando acordadas até tarde ou trabalhando nos turnos noturnos.
A passagem do tempo também poderá ser um problema para uma viagem a Marte, que vai durar mais de 500 dias, até porque investigações recentes mostram que os astronautas subestimam o tempo em órbita, e têm uma percepção alterada da distância no espaço.
David Saint-Jacques, 0 astronauta da Agência Espacial do Canadá, e Anne McClain e Nick Hague , da NASA, avaliaram por quanto tempo um alvo visual aparece no ecrã de um laptop e seus tempos de reação a esses avisos são gravados para processar velocidade e atenção. Esta experiência fazia parte da Time, uma pesquisa relevante porque uma percepção equivocada do tempo pode causar reações atrasadas e criar riscos para a segurança da tripulação.
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A NASA fez também já várias experiências semelhantes com os irmãos Kelly, dois gémeos, avaliando os efeitos causados em Scott, que esteve na Estação Espacial durante um ano, e Mark, que ficou na Terra.
Envelhecimento, radiação e bactérias
Já se comprovou que uma missão interplanetária a Marte irá ver os astronautas envelhecerem mais depressa, mas a Estação Espacial Internacional tem um ambiente único para reproduzir os efeitos do envelhecimento e estudar o impacto oxidativo das viagens.
A investigação europeia Nano Antioxidantes procura antioxidantes inovadores para estimular as células e evitar a perda muscular. Células vivas e partículas cerâmicas foram colocadas na incubadora Kubik durante seis dias, alojadas no módulo Columbus da ESA. Metade das amostras foram mantidas perto da gravidade zero, enquanto as restantes foram expostas à mesma gravidade que a Terra.
As células estão agora congeladas a –80 ° C e esperam pelo regresso à Terra, marcado para 3 de junho a bordo do foguetão Dragon da SpaceX. Os resultados desta pesquisa podem ajudar a desenvolver novos suplementos para apoiar os astronautas em missões a Marte.
Entre as experiências que estão a ser realizadas está também a proteção contra as radiações, que é uma preocupação séria porque assim que os humanos deixam o escudo protetor da atmosfera da Terra, a radiação espacial sobe até 15 vezes em relação à que existe na superfície do planeta.
O Dosis-3D tem 11 detetores de radiações presos às paredes de Colombo que registram quanta radiação é transmitida que ajudam a criar uma imagem completa da radiação espacial dentro da Estação e permitem perceber a radiação espacial e como ela penetra nas paredes da Estação Espacial Internacional. O mais recente downlink de dados a 21 de maio marcou sete anos de medições contínuas no espaço com esta experiência, e estão agora a ser avaliados.
Há ainda investigação em curso sobre bactérias e fungos que podem ser uma ameaça para a saúde humana e para os equipamentos, mas os investigadores estão a usar o Matiss-2 para perceber como evitar essa contaminação. Os cientistas analisarão os materiais para ver como as bactérias formaram biofilmes que os protegem dos agentes de limpeza e também os ajudam a aderir às superfícies. Esta semana, David Saint-Jacques embalou o sétimo porta-amostras com superfícies antimicrobianas para serem enviadas de volta à Terra para análise.
Reconstruir a história do planeta vermelho
A ESA já está a estudar Marte há mais de 15 anos com a Mars Express, lançada a 2 de junho de 2003. A sonda já fotografou quase toda a superfície do planeta até hoje e continua a enviar uma grande quantidade de dados científicos, incluindo evidências de seu passado mais húmido. E onde havia água, pode ter havido vida.
O envio de amostras para a Terra é um dos objetivos definidos pela ESA que quer também pousar no planeta, percorrer a superfície e perfurar o solo subterrâneo em busca de evidências de vida. “O próximo passo lógico é trazer amostras de volta à Terra, para fornecer acesso a Marte para os cientistas em todo o mundo, e para se preparar melhor para a futura exploração humana do planeta”, explica a agência europeia.
A NASA tem já a sua próxima missão a Marte bem definida e o Mars 2020 parte em julho de 2020, devendo pousar no planeta vermelho em fevereiro de 2021. E quem quiser pode inscrever o seu nome num chip que vai ser transportado com a sonda.
