Google multada na Rússia por não aceitar guardar dados pessoais dos utilizadores localmente
Novembro 14, 2023Portugueses pouco disponíveis para dar dados pessoais em troca de “favores” da IA
Novembro 14, 2023As plataformas digitais têm ajudado a dar mais voz a quem vive em conflitos, como no caso daquele que se passa atualmente entre Israel e Hamas na Palestina. No entanto, a desinformação continua a minar os esforços para a discussão de assuntos fulcrais, Robert Opp, Chief Digital Officer do UNDP, durante a sessão Human rights in the digital age, no Web Summit 2023.
Em linha com Robert Opp, DeRay McKeeson defende que as redes sociais deram a ativistas como ele a oportunidade de se expressarem, se bem que, há quase 10 anos, a ideia de alguém partilhar informação falsa sobre assuntos tão sensíveis para se tornar viral seria algo quase impensável.
É certo que a desinformação existe há muito mais tempo do que as plataformas digitais, mas esta “nova” versão do fenómeno prolifera nas redes sociais de forma instantânea e com alcance global, trazendo ainda mais desafios, realça Robert Opp. A própria luta contra a desinformação é marcada por uma variedade de abordagens entre Governos, organizações como a ONU e empresas tecnológicas.
Nos últimos 10 anos, as redes sociais mudaram imenso, e, para lá das oportunidades que existem para debater e aprender, a falta de moderação adequada continua a minar essas mesmas discussões, defende DeRay McKeeson, apontando para o TikTok como uma das plataformas que mais “peca” neste aspecto.
Na visão de Robert Opp, quando se reduz o conteúdo de tal forma a caber num vídeo tão curto, perde-se o espaço para compreender diferentes pontos de vista. É neste contexto onde o reforço das competências de literacia digital se tornam fundamentais, caso contrário, o panorama online pode tornar-se ainda mais polarizado.
É possível recuperar a confiança nas Big Tech?
Das plataformas digitais passamos a confiança “quebrada” pelas práticas das gigantes tecnológicas em relação a direitos fundamentais, numa sessão que reuniu Meredith Whittaker, presidente da Signal, e Veena Dubal, professora de direito na Irvine School of Law da Universidade da Califórnia.
Na visão de Meredith Whittaker, o Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD) foi a primeira vez em que muitas destas grandes empresas tecnológicas se viram forçadas a implementar infraestruturas centradas nos dados que recolhem, processam e criam.
O regulamento veio provar que, independentemente do local, se for um mercado suficientemente grande, é possível ter um grande impacto na forma como as gigantes tecnológicas se comportam. Mas, para a presidente da Signal, esta não se trata de uma questão de colocar os Estados Unidos e a União Europeia frente a frente como rivais no que respeita à regulação das tecnologias.
Veja na galeria imagens do Web Summit 2023
[photo-gallery id=”369057″ thumbnails=”369459,369460,369461,369462,369463,369455,369456,369457,369458,369448,369446,369447,369449,369442,369453,369454,369408,369409,369410,369411,369412,369413,369414,369415,369416,369417,369418,369419,369420,369421,369422,369423,369424,369425,369426,369427,369428,369429,369430,369431,369432,369433,369434,369435,369436,369437,369200,369201,369202,369203,369204,369205,369059,369060,369061,369062,369063,369064,369065,369066,369067,369068,369069,369070,369071,369072,369073,369074,369075,369076,369077,369078,369079,369080,369081,369082,369083,369084,369085,369086,369087,369088,369089,369090,369091,369092,369093,369094,369095,369096″ layout=”linear”/]Em linha com a presidente da Signal, Veena Dubal, acredita que, para lá da proteção de dados, os Estados Unidos têm muito a aprender na regulação do trabalho, sobretudo no que respeita às práticas das tecnológicas, onde a Europa “está anos-luz à frente”. É certo que os lobbys têm influência na Europa, mas é nos Estados Unidos onde o seu efeito mais se faz sentir, afirma.
Para os funcionários das Big Tech, contrariar o peso de gigantes quando os seus direitos não são respeitados é uma tarefa quase hercúlea. Os movimentos de trabalhadores também podem fazer “mossa” e conseguir trazer alguma mudança para este panorama onde o “motor da indústria da tecnologia continua a ser o lucro e o crescimento a todo o custo”, afirma Meredith Whittaker.
No entanto, como defende Veena Dubal, estes movimentos que apelam a uma maior justiça social são também aproveitados pelas Big Tech, não para apoiar estas causas, mas para alimentar uma ilusão de que se preocupam quando, na verdade, estão simultaneamente a minar estes esforços.
O ativismo local e estatal tem desempenhado um papel relevante e que pode fazer avançar a mudança nos regulamentos que guiam a tecnologia nos Estados Unidos, afirma Veena Dubal.
Haverá forma de as big tech recuperarem a confiança? Ambas as oradoras concordam que seria necessária uma mudança estrutural na forma como as gigantes tecnológicas operam, quiçá só mesmo por “artes mágicas”…
O SAPO TEK mudou a redação para o Web Summit e até 16 de novembro está a acompanhar tudo o que se passa na conferência e e nos eventos paralelos que sempre decorrem em Lisboa a par da conferência. A agenda é longa e há muito para descobrir dentro e fora dos palcos.
Pode acompanhar tudo no nosso especial do Web Summit 2023 e também ver a transmissão em direto do palco principal com o SAPO.
