Edição de 2024 dos prémios da Unicorn Factory Lisboa com candidaturas abertas
Agosto 13, 2024Rede Social X acusada de utilizar dados pessoais sem autorização de mais de 60 milhões de europeus para treinar IA
Agosto 13, 2024Nomes de celebridades, incluindo estrelas do futebol como Luis Figo, Ronaldinho, Casullas e Materazzi, atores de Hollywood e outros influenciadores foram participaram em eventos organizados pela OmegaPro, uma empresa de criptomoedas que prometia ganhos elevados. Tudo não passou de um esquema de pirâmide a nível mundial que lesou mais de 3 milhões de pessoas e em Portugal foram registadas 156 vítimas.
Avança o Público que o esquema da OmegaPro consistia num negócio de criptomoedas que prometia uma rentabilidade até 300% em 16 meses. O investimento mínimo começava nos 100 euros e havia um ranking de categorias que davam acesso a prémios e eventos da empresa. Os prémios podiam ser em valores monetários, mas também bens como computadores, smartphones, eletrodomésticos ou viagens.
O advogado sueco Lars Olofsson, que representa cerca de 2.500 legados, dos quais 156 portugueses, disse ao Público que se tratava do maior esquema de fraude em pirâmide de sempre. O advogado aponta que não se trata do número de lesado nem do valor que rondará os vários milhões de euros, mas pela sofisticação com que a burla foi feita. O investimento médio dos clientes que representa rondou os 120 mil euros.
Os fundadores da OmegaPro, Andreas Szakacs, Dilawar e Mike Sims, segundo o advogado, já estiveram envolvidos em outros negócios duvidosos. As vítimas eram pessoas com pouca literacia financeira, não são muito ricas e que foram aliciadas pelo marketing em torno do negócio que tinha como cabeças de cartaz diversos nomes ligados ao futebol e cinema. A OmegaPro organizava convenções com gurus de liderança e gestão em hotéis de luxo, explicou Lars Olofsson em entrevista.
A OmegaPro surgiu no mercado em 2019 e desapareceu em julho de 2023, apresentando-se como uma empresa de investimento e marketing de produtos financeiros. Tinha sede em Londres e no Dubai, negociando em Forex (Foreign Exchange Market). Este mercado lucra com as flutuações nos valores das moedas, ou seja, na valorização e desvalorização de uma moeda face a outra. No caso da burla, os investidores transferiram o investimento para a OmegaPro em criptomoedas.
Sobre o ranking dos prémios, cada investimento realizado pelas vítimas dava acesso a um patamar. Começando em “Associado” para investimentos entre os 366 a 550 euros; “Construtor” para quem investisse entre os 5.500 e os 8.300 euros; “Prata” entre os 14.600 e 22 mil euros; “Ouro” para investimentos 27.500 e os 50 mil euros; e “Platina” entre os 55 mil e 83 mil euros.
A estas categorias somem-se as de luzo, como Diamante, Diamante Azul, Coroa de Diamante, Coroa de Diamante Real e Coroa de Diamante Presidencial, esta última com um investimento mínimo de 17 milhões de euros.
Lars Olofsson destaca que ao utilizar figuras públicas conhecidas das vítimas, a ilusão de que o negócio era real e credível nunca era posto em causa pelas vítimas. Mas o advogado critica essas figuras, referindo que quando se é uma pessoa famosa, esta tem a responsabilidade acrescida de saber o que está a promover. O advogado está a preparar ações judiciais contra cerca dessas 20 personalidades. O esquema terá ainda utilizado notícias falsas e simulado parcerias com bancos para enganar possíveis investidores. A empresa organizava provas de rally e torneios de futebol nas suas promoções.
