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Julho 6, 2019Por João Monsanto (*)
Estive a ver televisão intercalando dolentemente com o meu jornal preferido, o único que mantenho em papel e com um e-book que não consigo largar. Estava muito bem neste estado letárgico, mas tive mesmo de interromper e levar a família a passear. Entrei no carro, coloquei o GPS, liguei o rádio e acabei por ouvir uma parte dum relato de futebol. Foi quando passei por aquele outdoor que continha o carro dos meus sonhos. Muito discretamente abri o Facebook no telemóvel e reparei que tive 72 likes no meu último post.
Chegados ao nosso destino iniciámos mais um incrível tour de realidade aumentada onde o palácio, meio em ruínas, foi reconstituído aprimoradamente e nós fomos parar a um baile da corte portuguesa do século XVIII, lamentavelmente interrompido indiscretamente por um sms promocional e duas chamadas de telemarketing…
Durante anos, enquanto dirigi agências de meios de publicidade, uma das mais interessantes questões era a da definição do próprio conceito de meio de comunicação.
Supostamente, “meios de comunicação”, segundo a popular Wikipédia, para não complicar com definições mais profundas (e não necessariamente mais corretas), “refere-se ao instrumento ou à forma de conteúdo utilizados para a realização do processo comunicacional”.
Nesta sequência diríamos que um meio de comunicação corresponde a um conjunto de suportes que apresenta as mesmas características comunicacionais dos seus conteúdos.
A Imprensa, por exemplo é o conjunto de suportes (jornais e revistas) cujas características comuns, entre outras, são usar como interface o papel impresso a preto e branco ou a cores, ser fisicamente livre (pode ser utilizado em qualquer local), ser estático (não contém conteúdos em movimento), permitir conteúdos em profundidade, ter audiências muito segmentadas, ser de utilização individual e ser mais quente ou frio, conforme a menor ou maior utilização de imagem.
Já agora, meios quentes são meios que dão espaço à imaginação do utilizador, como os livros ou a rádio; meios frios são meios que mostram tudo ou quase tudo, onde o espaço do imaginário é reduzido, tal como a Televisão. Por exemplo, se ler uma notícia escrita num jornal onde diz “…e o homem muito alto…”, cada um atribui a altura do homem de acordo com as suas referências individuais, se virmos a mesma noticias na televisão vemos o homem com a sua altura exata. É frio, não dá espaço à imaginação.
A Televisão por seu turno, tem como interface o ecrã de um televisor, é fisicamente fixa, é dinâmica, tem conteúdos audiovisuais diversificados em intensidade e profundidade, tem globalmente audiências massivas com segmentação de audiência por suporte (canal/programa), é um meio tradicionalmente frio e geralmente com utilizadores individuais, podendo, porém, ser coletivo em função do conteúdo (por exemplo nos jogos de futebol).
E assim, com estes e outros atributos, poderíamos continuar a classificar os diferentes meios de comunicação como a Rádio, a Publicidade Exterior….
Mas no passado tudo era relativamente simples. A única coisa que tínhamos no bolso, além da carteira, era eventualmente um transístor para ouvir o relato de futebol, noticias ou uma radionovela.
Hoje é seguramente um telemóvel, que acolhe sozinho tudo isto, incluindo a carteira, e muito mais.
Por isso, coloca-se agora uma questão mais difícil: e a Internet o que é? É por si só um meio de um conjunto de suportes “sites” e “plataformas” (perdoem a aglomeração grosseira) ou uma interface que integra vários e diferentes meios de comunicação?
Pois, como se trata de questões recentes, tomo a liberdade de continuar o raciocínio usando a segunda opção, embora com o risco de no final ter um nó cego.
Mas a verdade é que na Internet temos de tudo: filmes, jogos, noticias, displays, utilidades, …, que nada têm em comum e até podemos aceder a outros meios, como televisão e rádio sem perder as suas características. Mesmo o suporte físico tanto pode ser o clássico PC, como modernos óculos de Realidade Virtual, passando por Telemóveis, Tablets, Relógios….
Partindo deste pensamento, então abre-se em termos conceptuais (porque em termos reais as coisas já lá estão) a ideia de que existe um novo e poderoso conjunto de meios que podem ser (aliás já são em muitos casos) classificados e medidos.
Todos sabemos que internet chega hoje a quase todos os lugares de mundo e toda a gente lhe acede e que, nomeadamente com os telemóveis, fica disponível para uso em todos os lugares a qualquer hora do dia ou da noite.
Assim, os meios que se difundem neste canal têm possibilidade de penetração quase ilimitada. E a verdade é que “suportes” como o Facebook e o Youtube por exemplo disponibilizam conteúdos que atingem milhões de utilizadores apenas em alguns minutos.
Pois bem, chegámos ao momento de falar então de Realidade Aumentada.
Realidade Aumentada é um meio único e um “mass-media” nesta linha de raciocínio. Vamos ver como tal acontece se não existe uma perceção generalizada do que estou a dizer.
Há três razões que encontro para tal. A primeira é pelo curto tempo de existência: o público ainda se está a adaptar e os conteúdos ainda são poucos. A segunda razão tem a ver com limites técnicos que em breve não mais existirão com a evolução já anunciada. Trata-se de alguns obstáculos nos equipamentos pessoais: funciona para telemóveis e tablets, mas nos telemóveis apenas com smartphones – uma limitação que tem os dias contados, dado que já hoje todos os telemóveis que se vendem são desta categoria. Os equipamentos, para uma plena utilização e prazer, devem ter boa bateria, boa capacidade de memória e de RAM, boa camara fotográfica, e sensores como giroscópio e acelerómetro. A terceira e última, prende-se com o facto de, em muitos locais, serem difíceis e fracos os acessos à rede de internet.
Mas convém dizer que mesmo com estas limitações, já há hoje milhões de utilizadores de Realidade Aumentada.
Ultrapassadas estas condicionantes, teremos um meio universal, fisicamente móvel, dinâmico e interativo (2 e 3D), com conteúdos audiovisuais que são embebidos no ambiente real do utilizador (simulado ou verdadeiro), um meio frio com tendência tecnológica para o hiper-realismo e de utilização individual.
Estas são indiscutivelmente as características de um meio de comunicação. Mas o que o faz ser único e lhe dá futuro?
A Realidade Aumentada tem uma característica que é especial e que seguramente não lhe passou despercebida:
– Conteúdos audiovisuais que são embebidos no ambiente real do utilizador (simulado ou verdadeiro)
Isto quer dizer é que é o único meio com características verdadeiramente adaptadas a nós, aos humanos, às pessoas no seu espaço natural de vida.
Vemos as coisas onde elas devem acontecer. Viajamos no tempo e no espaço, mas sempre com as nossas referências físicas.
Não estamos confinados a viajar numa sala de cinema ou na sala de jantar. Vemos os conteúdos “in loco” e em três dimensões (ainda em duas dimensões em muitos casos, mas que em breve com os novos scanners e estúdios 360, serão totalmente em três dimensões). Usamos a Realidade Aumentada na rua, em Palácios, em Congressos, em Supermercados, em todos os sítios. E temos comunicação integrada, emocional, sensorial, humana.
Juntamos o som e a imagem da Realidade Aumentada (que se integra no som e na imagem do local), ao tato, ao cheiro e até ao sabor que o sítio onde nos encontramos nos oferece.
E agora sim! Não há mais nenhum meio de comunicação do mundo que nos transmita conteúdos desta forma. E as possibilidades são infinitas.
Mais. Quando a sociedade enfrenta um dos maiores problemas da atualidade que consiste na troca do mundo real pelo mundo virtual – sobretudo nas camadas mais jovens e que conduz a situações de isolamento cada vez mais graves com tendência a piorar com o “home working” – a realidade aumentada é uma lufada de ar fresco como abordagem tecnológica que chama os utilizadores para “fora de casa” e que é globalmente aceite pelas novas gerações.
Realidade Aumentada não é apenas um novo meio. É aquele meio que nos pode ajudar a evoluir de uma forma não hermética.
Ah! E sobre as audiências, shares, OTS, GRP’s, …? Desculpem, fica para uma próxima oportunidade. É que o meu relógio está a vibrar. Está na hora da minha reunião virtual.
Mas antes de acabar deixem-me pedir-lhes para que, independentemente de funcionar com telemóveis, com óculos ou com lentes de contato controladas por impulsos cerebrais, registem por favor este novo mundo novo: O AUMENTADO.
(*) Presidente da LarM, membro da VRARA
