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Dezembro 10, 2012Logo na apresentação da quarta geração do iPad, a 23 de outubro, foi fácil perceber que não haveria “revoluções” mas apenas “melhorias” para o tablet mais famoso do mundo. O novo iPad foi até eclipsado pelo iPad mini, esse sim com mudanças a nível de design e de preço que justificavam o entusiasmo de quem tinha interesse num formato mais pequeno – de 7 polegadas – e num custo mais acessível.
Mas – como era esperado – não foi esta falta de características revolucionárias que comprometeu o sucesso do novo tablet da Apple, que terá vendido três milhões de unidades nos primeiros dias, entre o modelo de 10 polegadas e o mini, voltando a quebrar recordes. Segundo os analistas a explicação é simples: há mais gamas disponíveis – porque a segunda geração continua à venda e baixou de preço – e há cada vez mais utilizadores interessados em comprar um tablet da Apple, apesar das múltiplas alternativas com sistema operativo Android (e agora também Windows 8) que vão chegando ao mercado.
Em Portugal as vendas da quarta geração do iPad tiveram início a 2 de novembro, mas só na versão Wi-Fi. Não houve filas de entusiastas à porta das lojas e continua a não haver números de vendas, mas a conjuntura económica ajudará a contribuir para um entusiasmo moderado, numa altura em que muitos fazem contas aos cortes nos subsídios e ao aumento de impostos.
Tal como aconteceu noutros mercados, a versão com ligação de banda larga móvel (3G) só começou a ser comercializada mais tarde, a 26 de novembro, e foi esta que o TeK teve oportunidade de testar, com uma unidade gentilmente cedida pela Vodafone.
Confesso que depois de ter desembrulhado quatro gerações diferentes do iPad, o entusiasmo acaba por ir arrefecendo. A caixa é muito semelhante, a forma como o tablet vem acondicionado não tem qualquer diferença em relação ao modelo anterior e o processo de configuração já é mais do que conhecido, sendo fácil carregar todos os conteúdos e aplicações que já “personalizaram” modelos anteriores.
E ao lado do iPad de terceira geração – ou mesmo do iPad 2 – não há qualquer diferença imediatamente identificável que permita fazer a distinção e aumentar a curiosidade dos observadores. O mais certo é ouvir comentários do género: para que queres dois tablets iguais?
Se é verdade que entre a primeira e a segunda versão estive tentada a escrever um anúncio para troca do tablet, na terceira o resultado da análise mostrava que as diferenças não justificavam o investimento. E agora a sensação de diferenciação entre o iPad de terceira e quarta gerações é ainda menor.
As dimensões são quase iguais, embora o novo iPad seja 0,4 mm mais fino e cerca de 50 gramas mais leve (nas versões Wi-Fi e 3G). Pequenos pormenores que passam quase despercebidos perante o chassi em alumínio e a cor exterior igual ao que já possuía.

Os mais atentos e de olhar “aguçado” começam a notar alguma diferença na qualidade de imagem. O novo iPad integra o ecrã com qualidade Retina e 3.1 milhões de pixels – 264 pixels por polegada – , que já tinha sido estreado no iPad de terceira geração e cuja qualidade se nota sobretudo na visualização de texto, mas que são também evidentes no impacto das cores e no detalhe das fotografias e vídeos.
Mas no dia-a-dia a principal mudança vem da rapidez que o novo processador A6 garante. As aplicações abrem mais rapidamente (algumas décimas de segundo), os jogos e vídeos são mais fluídos e os processos de editar imagens, aumentando e reduzindo zoom, ou o folhear de livros é cada vez mais natural.
Segundo os dados da Apple, o A6 é duas vezes mais rápido no processamento do CPU e gráfico, sem comprometer o desempenho da bateria, que tem uma duração estimada de 10 horas. A verdade é que seja por ser “novinha” ou por não termos conseguido dedicar a atenção necessária para esticar ao máximo o tablet, o novo iPad se aguentou graciosamente sem exigir nova carga durante quase dois dias.
Outra das diferenças notórias é o novo conector, o Lightning, muito mais pequeno do que o de 30 pinos, que tem a vantagem de ser reversível e mais durável. Mas também há desvantagens (já por demais referidas no TeK), sobretudo para quem já investiu num “ecossistema” de ligações para modelos anteriores e que agora tem de repensar a conectividade a altifalantes externos, ou mesmo o simples carregamento da bateria e a ligação ao computador em dois ou três locais distintos.

Claro que existem alternativas: pode comprar mais um cabo lightning para manter um em casa e um no escritório e há adaptadores para converter as ligações do cabo de 30 pinos para cabo lightning … mas há que admitir que quem já gastou umas largas centenas de euros no tablet e em dispositivos auxiliares tem menos disponibilidade (ou nenhuma) para voltar a abrir os cordões à bolsa.
Muito havia ainda para dizer, mas vamos centrar-nos em duas questões antes de fechar o artigo: conectividade e espaço de armazenamento, que determinam os modelos escolhidos. E os preços.
Embora o potencial de maior rapidez trazido pelo LTE não se concretize ainda, pela falta de compatibilidade com a tecnologia implementada em Portugal pelas operadoras, durante o teste não sentimos grande razão de queixa com a ligação 3G, onde conseguiu muitas vezes os melhores débitos da HSPA.
As contas bem feitas ao orçamento também interessam nesta escolha, até porque apesar da versão só Wi-Fi custar menos 100 euros, a ligação móvel dá muito jeito para quem usa o tablet fora de casa e do escritório. A alternativa pode ser o tethering com a ligação do telemóvel ou a utilização de um hotspot 3G, e em tempo de “vacas magras” esta solução sai muito mais em conta… Mesmo que opte pelo 3G não convém “abusar” muito da banda larga móvel, para não gastar o orçamento todo na comunicação de dados, por isso a escolha para downloads pesados deve recair sempre no mais baratinho Wi-Fi.
Quanto ao espaço de armazenamento a Apple disponibiliza três versões: 16, 32 e 64 GB, com incremento no preço. A versão que testámos foi a de 32 GB, e mesmo depois de “artilhada” com todos os conteúdos e aplicações que temos vindo a colecionar por uma utilização mais ou menos intensiva ainda sobraram mais de dezena e meia de GB livres. Por isso quem quiser poupar mais uns cobres (pelo menos 100 euros!) pode ser contido também neste aspeto. E se necessitar de espaço extra tem sempre a possibilidade de recorrer à iCloud…
Mesmo com estas possibilidades de “cortar na despesa” não consegue comprar o iPad de quarta geração por menos de 509 euros – isto considerando que opta pela versão só Wi-Fi e só com 16 GB de espaço de armazenamento. Os valores sobem até aos 839 euros na versão com 3G e 64 GB, um luxo caro…
Por isso a pergunta do início do artigo justifica-se: será que o novo iPad vale este investimento?
Cada um sabe do seu bolso, mas há que considerar que a terceira versão (já retirada do mercado) e mesmo o iPad 2 cumprem perfeitamente a maioria da funções de um tablet na área de entretenimento e produtividade, podendo não se justificar o investimento adicional. Por menos 100 euros compra um iPad 2 e até é capaz de encontrar no mercado um iPad de terceira geração por valores equivalentes…
Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
Nota da Redação: O texto foi alterado para explicar melhor as comparação das dimensões e qualidade do ecrã com as versões anteriores do iPad e foi retirada a referência à ligação USB, que se deveu realmente a uma perceção distorcida da minha parte…
